Revolução rubro-negra: gestão profissional impulsiona, e Flamengo retoma sua grandeza

ArtigoO Flamengo venceu o Fluminense, ontem, por 1 a 0, no Maracanã, na primeira partida final do Carioca. Um resultado que o deixa próximo do título estadual que não é conquistado desde 2014. E esse pode ser “apenas” o terceiro título da gestão Eduardo Bandeira de Mello que assumiu o Rubro-Negro em 2013, quando ergueu a Copa do Brasil. É interessante observar que, depois de alguns anos “sabáticos”, de frustração para os torcedores e resultados ruins dentro dos gramados, o Flamengo encontra um período de estabilização dentro das quatro linhas justamente depois de recuperar a sua saúde financeira. Ou seja, o desempenho começa a surgir depois que a “casa está arrumada”. E isso é coincidência? Ou está na conta de uma gestão profissional?

Há alguns anos se alguém afirmasse que a administração do Flamengo seria, no futuro, um exemplo para clubes brasileiros… certamente seria taxado de alienado.

Há uma revolução em curso no Flamengo há alguns anos. Desde o início da gestão de Bandeira de Mello, o clube tratou de arrumar a sua casa. Planejamento, orçamento e receitas. Tudo passou a ser analisado, na busca por uma melhor saúde financeira do time de maior torcida do Brasil. Em 2013, além de ter milhões de torcedores, o Flamengo também acumulava milhões em dívidas (algo em torno de R$ 750 milhões) que sequer estavam no radar de pagamento. A realidade envolvia processos trabalhistas, calotes, apropriação indébita e sonegação de impostos. E o pior: a falta de credibilidade.

A situação atual é completamente diferente daquilo que vivenciei no Flamengo, principalmente em 2006, na minha segunda passagem. Se hoje os salários estão em dia, as dívidas sendo pagas, tanto na questão financeira, como na estrutural, o cenário era completamente diferente há pouco mais de uma década. Como exemplo, dos seis meses que fiquei no clube eu recebi apenas um e me senti obrigado a rescindir o contrato, pois me falaram que não iriam pagar o que me deviam – fui para a Real Sociedad.

Como reverter tudo isso? Como fazer com que o Flamengo pudesse voltar a ter credibilidade e, consequentemente, lutasse por títulos?

A irresponsabilidade de gestões anteriores deteriorou com a imagem do Flamengo, fosse com os adversários, bancos, investidores ou empresas. A gestão do clube, decidiu, de certa forma, deixar o resultado esportivo em segundo plano – o que é o mais surpreendente na questão. Afinal, como que um clube grandeza do Rubro-Negro vai entrar em um campeonato sem que seja para buscar a taça? Conquistar títulos a todo custo, contratar atletas fora do orçamento e ignorar os credores. Isso ficou no passado.

Desde 2013, o Flamengo pagou mais de R$ 250 milhões em dívidas, recuperou a confiança do mercado financeiro e voltou a ser respeitado fora dos gramados. Tudo por conta de uma administração que cumpre com aquilo que promete. Atualmente, são mais de 30 patrocinadores que estão ligados à marca do clube, por exemplo. A dívida segue imensa – mais de R$ 450 milhões, mas ela está “controlada” – ou seja, está sendo paga e administrada.

Foram alguns anos de queda técnica dentro de campo, para ter um grande ganho fora das quatro linhas. Algumas eliminações em competições incomodaram o torcedor. Contudo, depois de reencontrar um equilíbrio financeiro, o Flamengo impulsiona novamente o seu time de futebol – em 2016 lutou pelo título do Brasileiro e, meses depois, está na final do Carioca.

Muitas vezes quando falamos em gestão profissional ou profissionalismo no futebol, caímos no lugar comum e o discurso fica vazio. É preciso saber plantar para poder colher no futuro. O Flamengo deu passos para trás, para saltar lá na frente. Nesse caso, o respeito, de fato, voltou.

Um abraço e até a próxima semana

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