O racha do futebol brasileiro, em que os clubes não têm voz e são divergentes

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“No encontro, sem a presença dos clubes, a CBF estabeleceu que os votos das federações estaduais tenham peso 3, os votos dos clubes das Séries A tenham peso 2. E os clubes da Série B terão peso 1”. Esse é um trecho da matéria publicada pelo GloboEsporte.com no dia 23 de março sobre a mudança do Estatuto da Confederação Brasileira de Futebol. É nítido notar que, diante disso, os clubes têm uma menor força dentro das decisões políticas no futebol brasileiro.

O trecho da reportagem do site é bem claro: “sem a presença dos clubes”. Outro detalhe que chama a atenção é que a votação, que teve somente a presença de cartolas das Federações e da CBF, aconteceu no dia do jogo da seleção brasileira diante do Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Ou seja, as atenções estavam todas voltadas para a partida do time comandado por Tite.

Vale lembrar que o colégio eleitoral da entidade é formado pelas 27 federações, os 20 clubes da Série A e os 20 clubes da Série B.  Na prática, se as 27 federações estaduais votarem no mesmo candidato, elas terão 81 votos. Diante disso, se os clubes se unirem, terão 60 votos. Portanto, vale muito pouco a posição dos clubes no futebol brasileiro. Os clubes não têm voz.

Essa mudança do Estatuto é um reflexo do cenário que vivemos fora dos campos. Há uma evidente divisão. De um lado está a CBF e as Federações e, do outro, os clubes. As divergências ficam claras e, com isso, os interesses seguem diferentes dentro dos principais agentes do futebol brasileiro. Dois lados de uma corda, com cada ponta sendo puxada para uma direção.

Quem perde com isso, com o entrave de decisões e discussões pequenas, é o futebol brasileiro. Questões que ficam pelo caminho, dando espaço para a morosidade, quando na verdade era preciso profissionalizar a gestão em todas as áreas. A política e interesses escusos imperam no “país do futebol”.

É lamentável enxergar essa decisão da CBF, mas também isso sinaliza que os clubes estão completamente alheios e sem força dentro dos bastidores. Enquanto dirigentes das equipes discutem e elevam as divergências, os mandatários da CBF e Federações dominam o cenário.

Enquanto essas pontas de cartolas estiverem desunidas, o futebol no país seguirá a passos lentos e com baixo nível técnico. É preciso encontrar uma única direção e compartilhar os mesmos objetivos. Não é com poder majoritário às Federações que vamos evoluir.

Um abraço e até a próxima semana,

Savio Bortolini Pimentel

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