Os méritos de Tite na seleção brasileira

“7 a 1”, CBF e Copa do Mundo da Rússia: os méritos de Tite na seleção brasileira

Basta falar “7 a 1” que, provavelmente, a maior parte da população brasileira – e ate mundial – saberá do que você está comentando. A vergonhosa goleada sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha, no Mineirão, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, ecoará para todo o sempre na história do futebol. Na minha visão, apenas um reflexo da maneira como o futebol brasileiro estava sendo gerido, repleto de corrupção e interesses políticos que, cedo ou tarde, acabaria com um desastre – infelizmente foi dentro de casa.

Para deixar bem claro, não enxergo que passados quase três anos do maior vexame do futebol brasileiro, a situação esteja muito diferente. Existe uma clara divisão no cenário político: de um lado a CBF e as suas Federações e, do outro, os clubes. E, dentro desse contexto, vivemos o excelente momento da seleção brasileira que, ao meu ver, tem os seus responsáveis bem claros, longe de qualquer tipo de jogo político ou de bastidores. Tite e sua boa gestão de pessoas, o grupo de jogadores, e mais ninguém.

Tite foi anunciado no dia 20 de junho de 2016 no comando da seleção brasileira. Em situação delicada nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, o treinador estava com a dura missão de recolocar a seleção nos trilhos. E, assim, o fez. Pode até surpreender para algumas pessoas que o trabalho, a dedicação e o talento façam com que os objetivos sejam alcançados. Para mim, não. É evidente que, ao colocar um especialista, com autonomia suficiente, as coisas vão fluir. Claro que os resultados estão acima do esperado, diante do 100% de aproveitamento.

Mais de 70% do grupo de atletas que estava nas mãos de Dunga integra a lista de Tite. Há, portanto, uma clara diferença entre os dois treinadores – e não somente nas questões técnicas, dentro de campo, mas principalmente no dia a dia, no lidar com os jogadores, na gestão de pessoas. Tite é um excelente gestor de pessoas. Ele soube alavancar o espírito dos jogadores, dando a eles a dimensão e o significado de vestir a camisa da seleção brasileira.

E isso passa exclusivamente por Tite, e pelo trabalho dentro de campo da comissão técnica. Não há mérito para ser compartilhado, os louros da vaga garantida para a Copa do Mundo passam somente por ele e os atletas. O futebol brasileiro, fora de campo, segue com as suas mazelas iguais ou até piores das que eram apresentadas em 2014.
O que é preciso entender é que o futebol é tão peculiar e, mesmo dentro de uma gestão de pessoas tão repleta de dúvidas e caminhos tortos, o trabalho eficiente fala mais alto e pode ter bons frutos. Que Tite siga blindando o grupo tão bem como tem feito, e focando naquilo que é o mais importante: recuperar o respeito do futebol brasileiro.

Um abraço e até a próxima semana,

Savio Bortolini Pimentel

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